sexta-feira, 17 de julho de 2020

Ex-atriz da Globo revela ter sido estuprada por diretor: 'Me enganou e me drogou'

Ex-atriz da Globo revela ter sido estuprada por diretor: 'Me enganou e me drogou' 
Foto: Reprodução / Instagram
Ex-atriz da Globo, Juliana Lohmann resolveu desabafar sobre uma violência que sofreu há 12 anos, quando tinha 18. "Fui convidada para fazer um teste por um famoso que dirigia seu primeiro longa. Ele me ligou e me chamou diretamente. Era em São Paulo e eu sou do Rio de Janeiro. Perguntei se podia levar minha mãe. Não, ele não poderia pagar mais uma passagem. Pediu desculpas. Fui mesmo assim. Era a primeira vez que viajava sozinha, me senti uma desbravadora de novos horizontes pronta para fazer cinema. Passei a madrugada estudando a personagem, cheguei com a cabeça cheia de ideias e perguntas", começou em entrevista à revista Claudia. 

A artista explicou que se hospedou no mesmo hotel que ele, cujo nome não revelou, e os dois passaram textos juntos até que o diretor sugeriu fumar maconha para a leitura ficar mais real. "Fiquei reticente, mas acabei aceitando. Dizer não para um diretor não é algo que uma atriz de dezoito anos sabe exatamente fazer. Um trago foi o suficiente pra que eu ficasse completamente chapada. Em determinado momento, percebi que o contato que ele fazia comigo excedia o profissional. Minha inexperiência com a erva não me deixou em condições de avaliar com mais clareza o que de fato tava acontecendo. Ele veio me beijar. Eu me assustei, disse que não queria. Foi uma completa surpresa acreditar que aquele homem, com sua boa imagem midiática de família margarina, se aventurar com outras mulheres. E ainda mais comigo", detalhou.  
  
"Ele tirou o roteiro da minha mão e me apertou com força contra o corpo dele. Eu pedi pra parar, mas ele me apertou mais forte. Fiz força para sair e não consegui. Imobilizada, eu disse que ia gritar.  Ele respondeu em um tom doce que, se eu gritasse, ninguém iria ouvir. Eu fui tentando respirar e acalmar o pânico do pensamento de que eu estava a centenas de quilômetros de casa. Entendi que não tinha saída. Fiquei quieta. Fiz o que ele queria", relembrou. 
  
A atriz relatou que tentou respirar e se acalmar diante do que estava acontecendo. "Tive que insistir muito pra ele pelo menos colocar a camisinha, o que fez somente depois de algum tempo de penetração. Havia um quadro na parede em cima da cama. De trás do quadro ele retirou um saco plástico com alguns preservativos. Aquilo me deu a sensação de que eu não era a única pela qual ele 'tinha se encantado'”, entendeu.  
  
"Colocou a proteção, mas retirou logo em seguida, ejaculando dentro de mim. Insistiu pra que eu dormisse com ele. No dia seguinte, de manhã, fui acordada por seu membro invadindo minha vagina. Lembro de ficar na mesma posição, deitada de lado, e apenas enfiar meu rosto no travesseiro pra que ele não percebesse as lágrimas que caíam sem controle. Ele ejaculou dentro, de novo", confessou.  
  
Em seguida, relatou como fez para sair daquele lugar e como foi seu banho após os estupros. "Eu me esfreguei com sabão inúmeras vezes, em todos os orifícios, com vontade de vomitar. Nem a água e nem o sabão tiravam de mim aquilo que eu queria que saísse. E eu mal sabia que aquilo nunca na minha vida iria, de fato, sair". Lohmann fez outro desabafo sobre o relacionamento abusivo que viveu com um antigo namorado, detalhando as agressões físicas e psicológicas, e que ele sugeriu que ela "quis" ter a relação sexual com o diretor.

"Faz muito pouco tempo que tive a certeza de que de fato nunca houve teste nenhum a ser feito em São Paulo. Eu passei doze anos, quase metade da minha vida até aqui, na dúvida. Eu me questionei se realmente eu não quis, me questionei se de fato não foi premeditado o interesse dele por mim, se realmente não havia o teste que, por um 'infortúnio', foi cancelado. Doze anos não ouvindo o que havia dentro de mim. Doze anos vivendo como se nada disso tivesse acontecido, ou como se tudo isso estivesse muito bem resolvido dentro dessa mulher tão bem resolvida que sou", analisou. 
  
Por fim, disse ainda que não conseguiu prestar queixa na época do primeiro do estupro porque não entendia o que tinha ocorrido. quando teve consciência, o crime já havia prescrito. "Este diretor usou de sua posição de poder, não só por ser um homem branco muito mais velho, mas principalmente por ser o diretor do filme, responsável por decidir se eu trabalharia ali ou não. Eu, uma atriz de dezoito anos recém-feitos e que ainda começava a entender como me posicionar profissionalmente sem minha mãe por perto. Ele me enganou, me drogou e me estuprou, violando minha dignidade sexual e deixando marcas que carregarei pro resto da vida". Com a repercussão, Juliana fez um post nas suas redes sociais sobre o episódio. Confira: