sexta-feira, 5 de junho de 2020

Repórter da Globo, Manoel Soares relata truculência de policiais em abordagem


Repórter da Globo, Manoel Soares relata truculência de policiais em abordagem
Foto: Reprodução / Instagram
Em uma entrevista por videochamada no “Encontro”, desta quinta-feira (4), o repórter da atração, o baiano Manoel Soares, relatou ter passado há poucos dias por uma abordagem policial truculenta. Segundo ele, o ato sucedeu de tal forma justificada pelo seu porte físico e, logo que foi parado pelos policiais, sentiu medo de sofrer algo. 

"Eu, por exemplo, essa semana fui parado pela polícia. Quando eu saí do carro, o policial viu que eu era grande, ele teve uma postura um pouco mais agressiva. Inclusive, foi incentivado pelos seus colegas de trabalho a me algemar porque eu era muito grande”, relembrou Soares. 

De acordo com o Notícias da TV, durante a discussão sobre racismo, que também contava com Rafael Zulu, Maíra Azevedo e Valéria Almeida, Manoel contou a Fátima Bernardes que a abordagem poderia ter sido ainda mais agressiva se o filho, de 18 anos, estivesse em seu lugar. 

Pensando, inclusive, na forma como os mais jovens iriam lidar com a situação, o repórter revelou que um dos desafios de criar os filhos numa sociedade racista é fazer com que eles aprendam como se portar diante de uma abordagem policial. 

"Primeira coisa que eu tive que fazer... A gente faz isso há um bom tempo, mas ensinar meu filho a tomar uma geral da polícia. É horrível fazer isso. Você tem um filho lindo, Fátima, não sei se em algum momento da sua vida, você teve que chegar no seu filho quando ele tinha nove anos de idade, encostá-lo na parede como se você fosse um policial e simular uma abordagem", comentou. 

Para ele, quanto mais escura a pele, “mais você precisa ensinar o seu filho, na hora que estiver recebendo a abordagem policial, a manter as mãos em local visível, falar sempre ‘sim senhor’ e evitar poses que transmitam arrogância”. 

"Criar um filho com confiança, que ele tenha acesso a direitos, pra quem é negro no Brasil passa por uma outra esfera que é ter que ensinar o seu filho que precisa ter cuidado. Porque mesmo não tendo nada de errado, mesmo estando certo, ele pode morrer", completou.