segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Novo humorístico da Globo, 'Fora de Hora' quer fazer piada com jornalismo para 'divertir'

Novo humorístico da Globo, 'Fora de Hora' quer fazer piada com jornalismo para 'divertir'
Foto: Reprodução/TV Globo
Uma mistura de jornalismo, crítica e comédia. Assim se define "Fora de Hora", novo humorístico da Globo que estreia no próximo dia 21 com a intenção de ser um telejornal cômico, mas com notícias reais.

Ancorado pelos atores Paulo Vieira e Renata Gaspar, o programa fará sátiras e paródias para falar de assuntos atuais, como uma crônica semanal, e vai ao ar às terças-feiras após o Big Brother Brasil. Contará também com um "time de repórteres" com, dentre outros, Marcelo Adnet, Júlia Rabello, Caito Mainier, Eduardo Sterblitch, Luís Lobianco e Marcius Melhem.

"Achamos que o humor é a forma mais cortante e, ao mesmo tempo, a mais suave de lidar com o cotidiano. Você ri um pouco do que estamos vendo, mas também te faz pensar, sem a dureza do noticiário tradicional", afirma Melhem em entrevista à reportagem. "Nossa verdadeira missão com o programa é divertir e dialogar sobre os fatos que impactam a vida das pessoas."

Para o humorista, "Fora de Hora" encontra espaço na televisão brasileira por vivermos em um cenário onde os noticiários estão cada vez mais sendo comentados, online e offline. "Esse é o momento da vida do país, por tudo o que aconteceu nesses últimos anos, em que o jornalismo assumiu um protagonismo muito forte. A questão das fake news, do que é verdade e o que não é permeia o debate público, e seria um momento bom para colocar um telejornal no ar para brincar com esse universo tão conhecido dos brasileiros."

Previsto para ter entre 25 e 30 minutos, o programa traz assuntos quentes, o que exige que um terço da produção seja gravada na semana em que o programa vai ao ar. A temática varia, indo de jogos de futebol a shows que eventualmente podem acontecer naquela semana.

Para Luis Lobianco, assunto é o que não falta, especialmente quando se trata do Brasil. Entre os temas abordados no programa, ele diz acreditar que a política tenha certo favoritismo do público. "Brasileiro gosta de política. É muito cultural da nossa TV, inclusive na dramaturgia, o núcleo cômico ser muito político e crítico. O brasileiro gosta muito disso, de rir do que está sendo falado naquele momento."

"Estamos muito avançados em vários debates, temos muito mais informações e temos conversado mais. O revés disso é um movimento muito conservador, o que gera toda essa polaridade desse momento e que tem gerado uma quantidade absurda de notícias. Temos um governo que aposta em crises para monopolizar o assunto nacional, para ficar na boca do povo. As situações cômicas desse programa estão aí", completa.

Melhem, porém, avisa que não se trata apenas de um telejornal crítico: "a gente brinca com a própria linguagem do telejornal, com uma linguagem 'non-sense', com notícias que são bobagens". Renata Gaspar complementa, ao dizer que a personalidade dos repórteres também serve de base para algumas piadas e que os próprios personagens são foco no programa.

"A produção é louca, muito em cima do programa, então é uma gincana para todos nós", diz Melhem. Ele afirma que, em meados de abril, quando a primeira temporada do programa acabar, todos eles sairão "direto para a UTI" - mas a intenção é que o programa seja um sucesso e uma segunda temporada possa ser confirmada em breve, como foi com "Zorra" e "Tá No Ar". 


por Beatriz Vilanova | Folhapress